Dado o momento de acirramento dos conflitos internacionais ampliam-se as análises e perspectivas sobre o mercado.
Em meio ao cenário atual dos conflitos regionais armados, estabelecemos uma pergunta: Quais serão os próximos desafios para o comércio internacional?
Dado o contexto vigente, em que Ucrânia e Rússia se confrontam, presidentes soberanos são mortos e sequestrados e o estreito de Ormuz sofre bloqueios, pensamos em quais novas fronteiras se estabeleceram e quais são as novas medidas a serem esperadas para o futuro.
Aqui discutiremos brevemente quais são as marcações desses conflitos para o comércio internacional e quais as perspectivas no âmbito das relações internacionais são postas e reiteradas no presente momento.
Comércio Exterior: fronteiras atuais
No último semestre temos visto reiteradas investidas do governo Donald Trump. O mundo já se encontrava conflitante e em disputas regionais solidificadas, da palestina ao leste europeu havia guerras demarcadas. Contudo, sob um novo posicionamento cada vez mais combativo, Trump tenta desequilibrar ainda mais a balança do desequilíbrio: de tarifas à investidas abertamente ilegais, de acordo com o direito internacional.
Ao longo das últimas décadas, a globalização consolidou cadeias produtivas altamente integradas e dependentes de estabilidade logística e cooperação internacional. Entretanto, os eventos recentes evidenciaram a vulnerabilidade desse modelo. A pandemia de Covid-19 já havia exposto fragilidades estruturais no abastecimento global, especialmente nos setores alimentício, energético e industrial. A partir de 2022, com a guerra na Ucrânia, essas tensões foram aprofundadas.

Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o conflito contribuiu significativamente para o agravamento das pressões inflacionárias globais, sobretudo em razão das interrupções nas cadeias de produção ligadas à energia e aos fertilizantes. Rússia e Ucrânia ocupam posições estratégicas no fornecimento internacional de trigo, gás natural e insumos agrícolas, o que tornou o conflito um fator determinante para a alta dos preços internacionais.
Essa parcela, apenas de 2022, já causava impacto no mercado internacional, agora há luz dos novos problemas: nos encontramos com o cenário nada agradável do Estreito de Ormuz e o conflito árabe-israelense, iniciado no ano de 2024 com o conflito na Palestina
Em um cenário internacional marcado pela intensificação de conflitos armados, as guerras contemporâneas não produzem apenas consequências humanitárias e políticas: elas alteram profundamente o funcionamento da economia internacional. Aumento dos custos logísticos, volatilidade dos mercados energéticos e crescimento das incertezas comerciais são alguns dos pontos que levam a um questionamento: a dependência excessiva de determinados mercados estaria agora no centro da discussão sobre risco estratégico?
Países e empresas têm buscado diversificar fornecedores, reduzir vulnerabilidades externas e aproximar centros produtivos de regiões politicamente mais estáveis. Em um ambiente internacional marcado pela competição entre grandes potências, a economia deixa de ser apenas instrumento de crescimento e passa a integrar diretamente estratégias de segurança nacional.
A quebra do fluxo comercial no Estreito de Ormuz, por exemplo, gerou impactos imediatos sobre o preço internacional do petróleo, seguros marítimos, fretes e expectativas do mercado financeiro. Ainda que nem sempre haja bloqueios efetivos, a simples instabilidade regional já é suficiente para ampliar a volatilidade econômica de todo o globo.

Análise com base no Direito Internacional
A principal questão levantada com relação ao direito internacional contempla a efetividade dos blocos multilaterais para a regulamentação dos conflitos, esses que impactam diretamente o mercado internacional.
Como lembrado por Dal Maso, ex-advogado cruz vermelhista:
“Uma crise do multilateralismo, enfraquece muito o direito internacional como um todo, porque não há uma bolha, então, ele depende, evidentemente, da cooperação entre estados e depende do fortalecimento das organizações Internacionais[…] cooperação com a ONU e com o Conselho de Segurança e dos Estados.”
O fator central desses conflitos internacionais envolve a falta de consenso ao se tratar das resoluções, Estados dependem da ordem hegemônica para se posicionar, e se abstém das questões quando convém. O que revela uma postura muito característica no cenário internacional, intitulada de anarquia internacional dos Estados: os Estados sem se submeterem à uma “polícia universal” gestora da ordem política global, atuam de acordo com seus próprios interesses unilaterais. Isso circunscreve a maior dificuldade na resolução desses conflitos: O consenso, desconcertado. Disputas de ordem e de discurso se aliam a esse perfil característico do cenário político atual. E a polarização e a desinformação trabalham para piorar a cooperação internacional.
É nesse cenário de crescente fragmentação geopolítica, que novas perspectivas de mercado começam a emergir dentro da economia internacional. Análises recentes da consultoria geopolítica GZERO Media apontam que o atual contexto internacional representa uma reorganização estratégica. A lógica predominante deixa de ser exclusivamente baseada em eficiência produtiva e baixo custo, passando a incorporar fatores como segurança econômica, estabilidade política e resiliência logística.
Esse movimento tem impulsionado tendências como o friendshoring e o nearshoring, estratégias nas quais empresas transferem parte de suas cadeias produtivas para países considerados politicamente mais confiáveis ou geograficamente mais próximos. Em vez de depender excessivamente de regiões sujeitas a conflitos militares, disputas comerciais ou tensões diplomáticas, governos e corporações passam a priorizar mercados capazes de oferecer previsibilidade institucional, estabilidade energética e menor risco geopolítico.
Nesse contexto, regiões relativamente afastadas dos principais focos de conflito internacional ganham relevância estratégica. A América do Sul, por exemplo, passa a despertar maior interesse econômico por reunir elementos cada vez mais valorizados pelo mercado global: abundância de recursos naturais, capacidade agroexportadora, reservas energéticas e disponibilidade de minerais críticos para a transição tecnológica e energética. Além disso, a região apresenta uma característica particularmente relevante no cenário contemporâneo: a ausência de envolvimento direto nas principais disputas militares globais.
O Brasil ocupa posição central nesse processo. Além de sua importância no abastecimento global de alimentos, o país também se destaca pela capacidade energética, pelo potencial em minerais estratégicos e pela relativa autonomia diplomática diante das disputas entre grandes potências. Chile e Argentina também ganham projeção internacional devido às reservas de lítio, cobre e gás natural, recursos fundamentais para setores ligados à tecnologia, infraestrutura e transição energética.

A atual reorganização do comércio internacional é extremamente interessante e pode vir a abrir uma janela de oportunidades para as economias emergentes capazes de combinar estabilidade geopolítica, segurança alimentar e recursos estratégicos. O ativo econômico agora passa a integrar “Estabilidade“, redefinindo quais regiões serão mais atrativas para investimentos, produção e integração comercial nas próximas décadas.
Possibilidade de Expansão com a RI USP Jr.
Análise de mercado-alvo, análise burocrática e análise conjuntural são alguns dos serviços oferecidos pela consultoria RI USP Jr para orientar empresas e negócios ao longo dessa nova conjuntura que vem se estabelecendo.